Ex-Prefeita e a Crítica Radical | Crítica
Nada é mais subjetivo do que a política. Além de um movimento social, ela viabiliza outros processos de adição de idéias. A inovação no meio político até hoje vem sendo buscada, aguardada com fé pelos que acreditam de fato que pode haver uma mudança nesse processo.
Com a Eleição de Maria Luiza Fontenele primeira mulher prefeita do PT em Fortaleza,de 1985 a 1988, Em debate, ela afirma os motivos do movimento não ter dado certo.
Militante, mulher, aplicou todos os recursos que podia de fato, para aplicar essa inovação. Porém, as dificuldades começavam onde começava o processo. Primeiro porque um militante era símbolo de rebeldia; segundo porque não havia uma infraestrutura político-social que viabilizasse tudo o que se planejava. Havia um sentimento anti-imperialista, e junto dele o que a própria Maria Luiza chama de “marxismo tradicional”, um processo de auto-inclusão dos jovens estudantes da época.
Objetivamente, que seria a Crítica Radical? Seria uma radicalização de idéias, uma inovação, uma espécie de “abertura da mente”. Por que esse método foi tentado novamente? Em crítica, Maria Luiza diz que o que falta nos jovens de hoje é justamente essa radicalização exigida pelo movimento, já que eles estão passivos, aceitando tudo o que lhes são impostos.
Onde estaria o problema nisso? O problema é justamente o fato de não haver a mobilização pela mudança, pelo aspecto social-urbano, que é um assunto super atual.
Em debate, questionou-se o caso da Ditadura, que foi um roubo dos direitos civis. E na verdade foi uma espécie de muralha capitalista para barrar os movimentos sociais que cresciam gradativamente na época, e assim foi com todos os movimentos, como os citados, Hippies, Bossa Nova, Tropicália, enfim, então, a conclusão que se tira é que o Movimento Crítica Radical foi mais um movimento social que foi esmagado pelo sistema “capitalista” ou simplesmente a burguesia.
Uma das questionações que se faz é justamente o por que não reivindicar? Porém o que se sabe é que o sistema capitalista é ligado ao amplo processo de globalização no mundo. É como se fosse uma máquina que não se tem o controle. E envolve não só o dinheiro, mas o poder. O que é pior.
Outra questão em debate foi “o que aconteceria se as pessoas não votassem?”. Pensemos, o poder é o que move o capitalismo. Sem o capitalismo, hoje, comandando, haveria um colapso, já que todo o processo de produção do trabalho está diretamente ligado a este processo. Num processo global, o movimento social está também ligado ao capitalismo, porque até a divulgação é mídia. Então, podemos tirar a seguinte conclusão: que até para exercer o papel de cidadão no processo de Militância, você não ultrapassa as barreiras pelo capitalismo, você passa a ser parte dele.
Outra questão importante a ser citada foi a questão do não vote. Seria o não vote uma questão anarquista???
Na verdade, o não vote pode ser tanto um ato de vandalismo quanto de opinião. Para Maria Luiza é uma questão de “cada um por si”.
Mas pode-se encarar o ato do votar nulo como omissão dos direitos de cidadão. Ou como parte de um novo processo de radicalização. Afinal, o voto nulo é um novo movimento, que aumenta gradativamente em toda eleição.
Tem-se que entender que as mudanças que acontecem no mundo estão ligadas a criação de cada pessoa. Por exemplo, os jovens de hoje não foram criados com o instinto de militância de uns anos atrás. E esse é o diferencial. Porém, enquanto houver um ou dois com o espírito militante, tudo continuará num contínuo processo de desenvolvimento do movimento social.
Hoje a Crítica radical deve ter o seu foco na educação política dos jovens que são desinteressados ou mesmo que nunca tiveram a chance de entrar em um movimento em favor de uma causa sua até.
O fim da política tradicional, é um grande desafio? Sim, claro, porque não cabe somente a um movimento, mas sim a um conjunto de idéias, de fatores que estão ligados ao mesmo.
Seria possível hoje um maior interesse por este processo de radicalização de idéias, com mais apoio da sociedade e mesmo auxilio falando agora de investimentos? Sim, o interesse é maior. Até porque os problemas são maiores também.
A verdade é que o processo é longo e difícil. Mas com pessoas como Maria Luiza e com um espírito militante tudo se ajeita.
Agliberto Ribeiro
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