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Ideologia do Pensamento Não Vote | Artigo

Um fato inédito provoca o Brasil. Mais de 61 milhões (49%) não querem comparecer às urnas (FSP/27/8/06). Estes números indicam que a revolta contra a política se espraia pelo país. O mapa da mina trilhado pelos políticos, a exibição eleitoral que oscila do ridículo ao deprimente e a impotência dos governantes perante a crise, que se alastra, minam a confiança dos brasileiros (as).

Quanto mais se insiste na manutenção da política, mais avança a catástrofe social provocada pelo seu desmoronamento. Diante disso, dois campos se formam. Num bloco, a política. No outro, a antipolítica. De um lado, a disputa eleitoral. Do outro, a batalha emancipatória. A política mantém os políticos e a corrupção. Com ela, a crise continua. A antipolítica acaba com a crise, os políticos e a corrupção. A política usa a esmola para não mudar. A antipolítica transforma a sociedade. A política nos coloca como expectadores. A antipolítica substitui o amor da servidão pela paixão da emancipação. A política se volta para a aparência da sociedade e por isso não pode superar seus horrores. A antipolítica, ao criticar o fundamento (essência) da sociedade, dimensiona que seus horrores são decorrentes da sua própria lógica e por isso pode superá-los. Para a política, o fim se aproxima. Para a antipolítica, o futuro desabrocha.
Os donos da mídia e demais defensores do capitalismo pressentiram o perigo e tomaram medidas para sufocá-lo. Rapidamente encabeçaram uma campanha publicitária massiva não só para nos obrigar a votar. Desejam levar-nos a pensar que as soluções só começam por meio do voto, por meio da política, sem mudar o sistema.
A campanha publicitária, em reforço à campanha eleitoral, ganha, portanto, uma dimensão decisiva. Por isso, uma mentira deslavada é enfiada goela abaixo da população. Trata-se de uma imposição que desfaz da nossa inteligência. Que zomba da nossa revolta ainda contida. Que especula sobre a monotonia de nossa vida que eles forjaram. Que embeleza a farsa para que o povo eleja “democraticamente’ quem a mídia e os partidos bem entenderem”. Mas, se a campanha falhar, já se desconfia do uso de um expediente golpista: a mudança da programação dos computadores que alimentam as urnas eletrônicas. Uma fraude sem tamanho, mas possível.
O terrorismo publicitário da política eleitoral não é sinal de força. Falta-lhe argumentação inovadora. Reveste-se de uma mesmice entediante. Não tem fundamentos sólidos. Não tem fundamentos sólidos. Não capta a natureza da crise atual. Seus conteúdos e formas já nascem ultrapassados, como os candidatos (as).
Contudo, a interiorização das categorias fundantes do capitalismo – valor dissociação, mercadoria, trabalho, dinheiro, mercado, Estado, política, etc. – nas pessoas, como naturais e eternas, agora se choca com os limites do sistema produtor de mercadorias. Hoje, uma parcela considerável dos seres humanos começa a perceber que está sendo excluída definitivamente desse sistema. Por causa disso, o terrorismo publicitário eleitoral impões, mas não convence.

* texto retirado do panfleto de divulgação do Movimento Crítica Radical no período eleitoral para presidência da república este ano de 2006.

 
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