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O Brasil não será mais o mesmo. Vai polarizar. (continuação)

POLITICANDO - Na década de sessenta o movimento estudantil era muito intenso, muito importante. Hoje em dia, com a mídia massificada, com as estruturas de poder estabelecidas, como se pode comparar a estrutura de hoje com a daquela época, tanto do movimento estudantil como dos modelos de Estado?

Mariano - Não é a década de sessenta, é o que aconteceu antes. O Nazismo foi derrotado em 45. Houve um boom democrático de todo o mundo. O movimento estudantil antes do golpe era muito forte, já existia uma semente plantada em todos os jovens. Golpe mesmo foi no AI-5, aí foi quando eles começaram a matar, a exilar, anularam os sindicatos todos.
Agora para mudar, vai acontecer agora no próximo ano, vocês podem ficar certos do seguinte, o Brasil depois dessa eleição que vem aí não será mais o mesmo. Vai polarizar. As pessoas vão se posicionar, ai então vai começar a haver o debate de direita e de esquerda no Brasil. Então a luta política agora vai ser muito forte porque os pobres, as classes mais baixas se beneficiaram com o Lula, o que não ocorria com o Fernando Henrique, os privilegiados de sempre aí não vão suportar isso.

POLITICANDO - Atualmente, é possível constatar a imagem do político saliente a imagem do partido, como se o político fosse mais importante do que o partido, e para a grande massa o partido parece ser inexiste em relação a presença deste político. Como o senhor avalia essa personificação dos políticos e o desaparecimento contínuo dos partidos?

Mariano - Quando a ditadura tomou o poder, ele extinguiu os partidos políticos, só tem um partido político que é Partido Comunista que foi fundado em 1922, ficou clandestino, se legaliza, mas o PSC, a UDN e o PTB eles foram extintos, porque não interessa para a estrutura de poder dominante que existam partidos políticos fortes.
Quando você diz que os partidos não existem, existem poucos partidos, para a grande massa tem a figura do camarada, é porque eles fazem questão que assim seja. Domina melhor se não tiver um programa partidário, se não tiver uma sigla que aglutine.

POLITICANDO - Então constata-se a necessidade de uma reforma partidária. Como o senhor vê os partidos e a reforma partidária?

Mariano - Hoje tem 35 partidos sem nenhuma referência ideológica, programática. Na política de fato hoje tem o PT, o PC do B. Tem PSDB que é um partido ideologicamente definido E tem outros partidos comunistas, o PDT por exemplo, PSB..
Tem uma reforma partidária aí que está sendo colocada, você não vai mais votar nos candidatos, você vai votar nos programas partidários. Essa reforma está sendo discutida dentro do congresso, e provavelmente ela não passa, porque aí você pode decidir por partido,porque ai o partido se solidifica, aí você cria a personalidade dos partidos, mas jamais passará nesse momento.

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