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André Haguette

DCE

Mariano de Freitas

Maria Luiza

Estudantes

Estudante Francês

 

 

O Brasil não será mais o mesmo. Vai polarizar.

O eterno militante político Mariano de Freitas, hoje secretário da executiva regional I, afirma que depois dessas eleições o Brasil não será mais o mesmo, e ainda acredita que depois de muitos anos as pessoas se posicionaram em teremos um debate de direita e esquerda no território nacional.

Mariano de Freitas nasceu em 1945 em um município localizado á 337 quilômetros de Fortaleza, Tauá. Formou-se médico, mas, sua participação política o denotaria pelos anos seguintes. Num encontro de aproximadamente uma hora, o secretário da regional I, um homem sério de olhar crítico, fala sobre o Golpe Militar, privatizações, mídia e a participação da esquerda na política do Brasil.
Ele acredita que o Brasil, e especialmente o Ceará vivem um momento muito bom da história, se mostra satisfeito com o resultado da eleição regional. Numa fala bem objetiva, Mariano parece não ter perdido o vigor dos tempos do movimento estudantil, e continua engajado na política á sua maneira, sempre rebelde e contestador.

POLITICANDO - O que é política para o senhor?

Mariano de Freitas - Eu sempre tive uma militância política muito grande, desde garoto. Eu já entrei na faculdade com a militância política. Então a política para mim é uma atividade que busca transformar a sociedade. Eu tenho na política a intenção de melhorar, de minorar, de organizar as ações que as pessoas possam fazer para melhorar a qualidade de vida de cada um, e de todos. Eu tenho um benefício pessoal do meu enriquecimento intelectual, da minha vivencia com as pessoas, da minha entrada nos conflitos nos movimentos sindicais, nos movimentos sociais, nos conflitos políticos.

POLITICANDO - Nesse sentido de minorar e organizar as ações para melhorar a qualidade de vida de todos, como o senhor se posiciona e como posiciona a política com relação a corrupção?

Mariano - Na penúltima eleição que teve em Fortaleza para governador. Era a eleição que o governador Lucio Alcântara ganhou com 3 mil votos,foi uma eleição de apuração um tanto quanto conturbada.Isso nunca foi apurado. Mas nos temos uns 14 processos na justiça tentando anular a eleição. Só para ter uma idéia, em Barroquinha votaram 50 defuntos. Então a política é no sentido de buscar a justiça política, a justiça social, justiça econômica. Eu me coloco o mediador desses conflitos sociais.

POLITICANDO - Segundo o professor André Haguette, nos anos sessenta existia um ambiente que favorecia a formação política dentro do movimento estudantil, com a dualidade das ideologias políticas, com os países do leste europeu, URSS e hoje em dia não há mais isso, com a abertura política o derrocada do bloco socialista. Houve, por assim dizer, uma perda de sentido essas ideologias. O professor André Haguette diz que hoje em dia o que poderia mover o interesse dos estudantes seriam as pequenas grandes causas, o papel da mulher na sociedade, o movimento das minorias, enfim, o terceiro setor. Como o Sr. vê isso? O Sr. Concorda com essa colocação?

Mariano - Eu não concordo com essa afirmação do professor. Eu o conheço. Acho que hoje as coisas estão muito mais evoluídas do que estavam no meu tempo. Eu acho que hoje existe uma consciência política muito maior.
Então eu acho que na América Latina hoje, na América Latina, certo? Existe uma espécie de unidade de várias forças que atuam em diversos países que estão procurando uma independência econômica de negociação, que estão fazendo um Mercosul. A derrota da ALCA pelo Mercosul, sem dúvida acaba com essa história de que as grandes causas estão fora da pauta.

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