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Do Movimento Estudantil Popular Ao Movimento Nacional.

Para Alexandre Vaz e Carlos Alberto, candidatos a deputado federal e estadual respectivamente, fazer política é uma ação coletiva popular. Eles cresceram fazendo política, na escola, no bairro em movimentos populares e agora querem fazer valer suas idéias pelo Brasil. Para os dois, política não é finalidade e sim um instrumento.

Existem diferentes formas de fazer política, e a que nós adotamos e a socialista, libertadora e libertaria, anti-capitalista. Uma política que praticamos diariamente, embora, não tenha grandes instrumentos”.

A juventude entrou numa dinâmica muito acelerada devido ao processo capitalista de disputa de mercado. Os jovens já saem do ensino fundamental com pouquíssima prática de integração com a sociedade.”

POLITICANDO - O que é política?

Alexandre Vaz - Existem diferentes formas de fazer política, e a que nós adotamos e a socialista, libertadora e libertaria, anti-capitalista. Uma política que praticamos diariamente, embora, não tenha grandes instrumentos que nem a burguesia tem. Mas, que busca o desenvolvimento coletivo. A política que fazemos é desenvolvida junto com o povo, com objetivo de desenvolver mecanismos de contra-poder. Conclusão, para nós, a política é além de tudo, uma ferramenta de relação de poder popular para que possamos avançar em busca do desenvolvimento de todos.

POLITICANDO - Como foi a iniciação política de vocês?

Alexandre - A gente passou pelo movimento estudantil e naquele momento o nosso objetivo era a transformação da sociedade e o contato com a ideologia socialista. E não era só isso, havia também uma necessidade real de salvar o planeta da política capitalista. E o contato com essa ideologia se deu há 10 anos, durante no movimento estudantil secundarista. Eu particularmente, passei por duas direções de grêmio, no Colégio Plácido Aderaldo Castelo, uma escola no Conjunto Ceará. Saindo do movimento estudantil, a gente foi para movimento popular onde passamos pelas organizações de bairro, pelos movimentos que chamamos de luta pelo saneamento pela questão da segurança. E no meio desse processo, tudo que queríamos era compartilhar um pouco do nosso conhecimento, da nossa política socialista, e de conscientização da comunidade. Foi daí que passamos a entender que a luta não era só no nosso bairro, ela se estendia mais além, no nível municipal, estadual até no nível internacional.

Carlos Alberto - iniciei no movimento estudantil, no Liceu do Conjunto Ceará, fiz parte do grêmio desta escola. Como costumo dizer, entrei movimento estudantil, por que eu queria estudar. O Liceu durante a sua inauguração era propagado na televisão como uma escola de qualidade, e que faria uma revolução na educação. Eu tinha esperança de encontrar uma escola diferente da que eu fiz no ensino fundamental. Mas, chegando lá vi que tudo era uma “fachada”, além de não existir democracia dentro da escola a diretora ainda foi indicada pelo Tasso Jereissati (então governador na época). A estrutura que passava na televisão era pura ilusão. O laboratório, por exemplo, nós não podíamos usar. Desta Forma, comecei fazer política por necessidade, para poder usufruir o que era nosso direito de fato, que a gente queria uma escola com qualidade de verdade. A partir daí, ingressei no movimento estudantil popular chamado de Juventude Vermelha. Lá, foi onde comecei a ter uma formação política, mais Socialista e Nacionalista. Quero acrescentar que, pra fazer política tem que haver determinação de mudar a realidade que oprime.

POLITICANDO - Carlos, por que o modelo capitalista não deu certo em alguns países e em outros não?

Carlos - Não existe capitalismo humanizado, o capitalismo é cruel, é ruim e pronto. E você tem que escolher se faz uma política capitalista ou se faz uma política socialista, não existe meio termo. A cada 3 segundo uma pessoa de morre de fome no mundo, mesmo com toda a tecnologia existente. Mesmo afirmando até que o homem já esteve na Lua, como é possível se permitir que a cada 3 segundos uma pessoa morra de fome no mundo. Por que capitalismo deu certo para um grupo, e não pode dar certo para a maioria? Essa é a filosofia do capitalismo, nunca vamos ter visão de que o capitalismo vai dar certo para a maioria.

POLITICANDO - Nos anos 60 o movimento estudantil teve importância, destaque na história do país. A partir daí o movimento se intensificou. A juventude participava ativamente. Hoje tanto a juventude e o movimento estudantil têm um comportamento apático. Qual sua opinião?

Alexandre - a juventude entrou numa dinâmica muito acelerada devido ao processo capitalista de disputa de mercado. Os jovens já saem do ensino fundamental com pouquíssima prática de integração com a sociedade. No ensino médio entram numa corrida para vestibular, para a universidade ou escola técnica visando o mercado de trabalho. Esses jovens no ensino médio poderiam vivenciar uma vida comunitária mais espiritualizada, com práticas de valores. No entanto, a dinâmica mercadológica trouxe uma deficiência enorme para a juventude. Devido a este ritmo, os jovens deixam de vivenciar experiências incríveis de organização de afirmação social, de vivenciar essa experiência de contribuição. É ensinado que, a melhor contribuição que a juventude pode dar é o trabalho. E o trabalho nem sempre é uma contribuição social. Então, termina por se tornarem individualistas. A sociedade prega o “ser”, o “ter” para crescer. É como se todos tivessem que ter ascensão social, não para sociedade, não para crescermos juntos e sim para viver nessa corrida, nessa disputa.

POLITICANDO - E como incentivar essa juventude a participar do meio político?

Carlos Alberto - Acho que não só os jovens, mas toda população deve ser incentivada. Mas, o problema tem uma causa, que é o capitalismo. Na nossa visão, é preciso mais educação política. Os jovens estão se tornando cada vez mais desinformados e sem consciência. E isso vai refletir mais adiante, quando forem adultos. Mas, a chave para este incentivo é sem dúvida a educação.

POLITICANDO - Alexandre, como você vê o envolvimento do movimento estudantil com o movimento partidário?

Alexandre - A gente sempre tentou desenvolver algum trabalho. Primeiro com a contribuição no movimento estudantil, passando um pouco do nosso conhecimento, da nossa política socialista, buscando conscientizar. Sempre temos que estar nos mobilizando para atingir nossos objetivos. Temos muitas lutas, a luta por saneamento, luta pela questão da segurança. Isso nos leva a compreender que a luta é internacional, não é só uma questão de bairro. A luta é mais que tudo isso. É nessa estrutura que temos que ampliar mais. Saindo do movimento comunitário, mais popular a gente vai pra junto dos partidos políticos mais populares a nível nacional. Do movimento estudantil até um nível partidário; onde estamos hoje.

POLITICANDO - Nas últimas eleições vocês se candidataram a uma vaga na Câmara Estadual e Federal pelo PSOL. O que levou a esse projeto?

Alexandre - Como já citei, há alguns anos a gente faz parte de um grupo, um grupo político e organizado que se caracterizou como um grupo político de juventude. Sempre tivemos uma interação com a sociedade, e no meio desse processo de disputa, que é uma eleição, disputa da cultura, de poder, passamos a enxergar que havia a necessidade de um meio no qual sociedade reconhecesse como um instrumento em prol de seus interesses.
A sociedade de hoje enxerga nos políticos, uma grande degradação de valores de caráter, mas não deixa de ir à urna para votar. Não deixa de exercer, o que chama de “cidadania”. Não se questiona, apenas avalia o que é ruim ou o “menos ruim” no meio desse processo.
Então, nosso grupo avaliou que era um momento propicio para discutir com a sociedade, a capacidade de identificar um agente, como um líder comunitário capaz de ter uma ascensão social.

Carlos Alberto - Fomos escolhidos por votação. Acharam que por nós, Alexandre e eu, por termos um histórico político semelhante, que foi a atuação no movimento estudantil, teríamos o perfil que o grupo precisava.

 
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