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Uma Análise da Nossa Juventude| Matéria

O poder da nossa juventude perdeu a diretriz, a ação revolucionária parece ter sido substituída pela passividade e comodismo impostos pela indústria midiática e seu capitalismo sem freio. Por onde andará a luz no fim do túnel?

Semanticamente, juventude significa renovação, energia, mocidade, nunca envelhecimento. Na idade Média, segundo o filósofo Isidoro, a fase da juventude acontecia depois dos 30 ou 35 anos de idade, e podia se estender até os 50.Era nessa fase que o homem era considerado pleno de todas as suas forças. Depois da Juventude, só a velhice, fase em que os sentidos já não estariam tão bons. Segundo a origem mitológica da palavra juventude na Grécia antiga, há relatos sobre a existência de um deus que guiava as pessoas extrovertidas interessadas em mudar as coisas ao seu redor, um deus que era todo energia e emanava essa energia entre as pessoas. Era o deus da juventude, assim como a Afrodite era a deusa do amor.
Hoje, há os que definem a juventude como um estado de espírito, uma força interior que nos motiva independente da idade cronológica do indivíduo.
Há os que relacionam a juventude com uma fase de abundancia do amor na essência do homem; Outros relacionam a fase com a época de devaneios e idéias tolas, sonhos e romantismos...
Qual será o verdadeiro sentido da palavra juventude?
Essa palavra ainda hoje tem um peso muito forte na mente das pessoas, ainda está muito relacionada com o poder, com a capacidade de criação, de procura pela redescoberta, pelos sentidos das coisas.
Porém o que está na mente da maioria das pessoas não é o que acontece na prática, quando o que se vê é uma juventude acomodada, alienada, calada diante dos fatos e acima de tudo cada vez mais consumista sem freios, absorvendo sem nenhum tipo de filtragem as idéias da indústria cultural, essa indústria que mudou as bases dos nossos valores sociais numa nova geração em que mais vale ter do que ser.
O que terá acontecido com o potencial transformador e revolucionário dos nossos jovens? Hoje, aos 16,17 anos de idade eles já possuem cartões de crédito, aparelhos de celular cada vez mais modernos e livre poder de consumo. Alguns já provam o amargo sabor do descontrole financeiro com gastos maiores do que a receita. É como se seguissem só o que está na moda, o que os artistas, os ídolos fazem, o que a tevê ensina a fazer. Essa é a bandeira atual da juventude.
O interesse por pequenas causas, o papel social, a preocupação com o futuro da nação sócio, econômico e politicamente já não fazem parte dos interesses dos jovens numa análise geral. Não estamos mais no tempo em que a juventude revolucionária ia paras as ruas reivindicando seus interesses. A nova geração não parece ser da mesma tribo dos jovens da década de 70 que pareciam falar a mesma língua, alimentar-se dos mesmos ideais revolucionários, e acreditar realmente que a mudança no sistema era possível pela luta de todos por todos.
Porém, no contra-fluxo dessa tendência ao comodismo, ao consumismo feroz e alienado, existe uma pequena classe de jovens como Aécio Holanda que defende a luta contra o gigante capitalista, pelo fim das desigualdades sociais e em prol da liberdade do homem, uma liberdade de pensamento, de livre escolha, de poder de decisão mesmo de sua própria vida. Jovens que questionam até que ponto a sociedade do espetáculo deve reger as nossas ações, e levantam a questão “por que se deve tomar coca-cola?”. Esse pequeno grupo tenta a cada dia conquistar novos adeptos que abracem essas causas e passem também a ser questionadores, a desenvolver a autocrítica, a filtrar aquilo que é passado pela grande indústria da comunicação que a todo tempo subestima o nosso poder de decisão e criticidade.
Essa minoria, mesmo em desvantagem em relação a grande massa “adormecida” dos nossos jovens, aparecem como uma luz no fim do túnel, uma nova chance de mudar e transformar a sociedade. Sabemos que os tempos são outros, os problemas não são os mesmos daquela juventude cheia de garra que pintava a cara e gritava pelas “diretas-já”. Contudo não se pode dizer que nova geração é pior que a antiga, não se deve medir nem comparar forças, ambas tem um poder inimaginável mas distintos anseios. Os interesses mudaram de foco e é preciso criar uma nova comunicação entre essa massa e buscarmos novas táticas para provocar o desejo de liberdade e igualdade, para levantarmos questionamentos e sugerirmos uma reflexão maior acerca dos fatos. Acima de tudo é preciso haver um incentivo nos meios de comunicação, principalmente em rádios e em tevês de canais abertos, o que não será tarefa fácil, mas não deve ser considerada inatingível.
Creio que está de longe de associarmos a juventude a qualquer coisa parada, sem vida e sem movimento. A energia que irradia desses jovens é que precisa ser canalizada para continuar emitindo raios de luz e poder como o deus jovem da Grécia antiga emitia. Juventude é renovação, mocidade, nunca envelhecimento.

Paloma Silveira

 
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