O “Pensamento Jovem” ( continuação )
POLITICANDO - E como foi essa militância?
Carolina - Essa militância foi basicamente o seguinte: a gente fazia manifestações e o assunto era baseado na cultura nacional e internacional. Falava-se muito de libertação, quem eram patriotas, cubanos que eram presos nos Estados Unidos e tal. E eu achava, assim, até interessante, por que realmente a gente tinha que está informado, mas o movimento estudantil, eu achava, que deveria ser baseado na política de fora e não de dentro, por que falavam disso e tal, que tinha que organizar o sistema salarial. Falavam que tínhamos conseguido alguma coisa, um carro para ir para UNE, mas a biblioteca não funcionava; eu não conseguia pegar um livro que queria.
POLITICANDO - Como é que foi conhecendo o campo político?
Carolina - Quando entrei, achava que um ia fazer parte do grupo e não o grupo fazer parte da política. Tive que escolher um partido para iniciar. E, aí, lembro que escolhi, lembro, que cheguei a escolher de cara. E eu, que era espírita, queria uma coisa mais pacifica, apaziguador. Lá diziam que eu deveria estudar mais. Aí, Stalin, que tinha estudado, era um autoritário, que tinha estragado a URSS, que ele fez o comunismo errado. Aí, diziam: “Companheira, infelizmente, você aprendeu um código burguês”, você tem que estudar mais”. Tá bom. E aí fui conhecendo o pessoal, que se dizia “marxista”, mas no fundo era stalinista, por que chamam “stalinista companheiro”. E aí fui conhecendo mais o campo político. Quem tem essa militância , faz o profissional dos movimentos estudantis para que eles priorizarem realmente o interesse do partido. Agora o DCE do CEFET, a maioria ainda são do stalinistas. Dizem que tem que tem passar em salas de aulas e tal. Por que eu não gosto dessa ligação do DCE e partidos. Vão acabar com a época de eleição do DCE até muito cedo. E eu vou conhecendo e ver que um passava para outro. É difícil por que estou vendo que sou a única que não está ligada a um partido. Mas vamos tentando, né? E eu também percebo que a maioria dos jovens, no caso, quando estava no terceiro ano, vêem, assim, as pesquisas: que o PT é realmente um bom partido de esquerda e o PSDB é um partido de direita. Ainda podem construir uma política de valor; e acho que a maioria sabe política.
Aécio: Então, todos os movimentos estudantis que teve uma passagem, dentro dessa visão, como no depoimento dela, exigem que você assine um estatuto. Tipo assim, eu quero ser de esquerda, aí eu assino o acordo que diz assim: que concordo com tudo aquilo que está dito ali. E se não concordar não assino.O que acontece é tipo assim, dentro dessa visão, como no depoimento dela: nós vamos criar uma conduta no estatuto, uma conduta moral para esses jovens civis. Então, o que esses jovens seguem é o que distancia a juventude da grande massa.
POLITICANDO - Como vocês passam na prática o conceito de política?E como vocês fazem política na instituição?
Carolina - O que vejo, não existe prioridades aos valores humanos e sim ao capital. E infelizmente, tento passar o pouco de conhecimento que tenho de uma forma que eu lido com a política. Mas gosto de falar de política com amor, sabe? Acho tudo o que a gente faz tem que ser feito com amor.
Aécio - No caso do DCE, a gente tenta, no caso, atingir uma demanda cada vez maior dos estudantes; chamar pra fazer protesto, em um movimento diferente e a gente já conseguiu... Quando a gente começou a campanha do DCE na UNIFOR, começou com 26 pessoas e, de repente, depois das eleições já tinha 100 pessoas nessa busca dentro da universidade. Quer dizer, a política a gente constrói dessa demanda. È boca a boca. A gente tentava conversar com o pessoal e convencia. E a galera multiplicava. E a perspectiva que a gente tem, a gente não deposita na galera que está lá. A gente deposita na galera que está aqui.
POLITICANDO - Quando houve a greve, existiu apoio do DCE? E como vocês avaliam tal situação?
Carolina - Bem, quando houve a greve, a gente não teve muito contato com os estudantes. Logo depois a gente ia convocar os estudantes para a assembléia diante da greve. Mas assim, muitas pessoas tinham contato com vários professores. E pelo o que a gente viu, assim, eles estavam visando adequar o acordo salarial. E pelo que agente viu teve um determinado momento que os estudantes perceberam isso; Se eles não colocassem a greve ficariam habituados a tal, mas eles mantiveram a greve. Não é que foi duradouro, por que os próprios técnicos administrativos não estavam preocupados com os professores. O professor substituto, em nível federal, ganha r$ 390,00 reais. Não é discutível ele está numa sala de aula dando aula para um monte de turma e tal. Eles não ensinam sua vida. Afeta até o psicológico, ainda mais num país onde você tem que sustentar um filho. É difícil.
Aécio - Você tem a ‘universalização’ do estudo, né? Então, você tem uma queda da qualidade mesmo do ensino dentro da universidade. Agora tem a questão da mentalidade. Fui aluno do Justiniano de Serpa e a gente querendo aula, a gente fazia uma mobilização dos professores. Pegava em flagrante e tal. “ Hoje o professor faltou”. Ai, a gente colocava uma lista. E não era pouco, era 30, 40, durante o dia. E a gente colocava assim: “ Hoje tem greve de professor”. E aí o professor chamava a gente. E quando acaba tinha uma passeata. Era lindo. Então sobre a greve... Eu acho que a UECE deve melhorar a qualidade de vida. Eu lembro que era aluno de escola publica e terminei o supletivo. Aí, eu lembro muito bem quando a escola publica se acabou, que o governo colocou essa história de escola particular. E hoje tem o ProUni. Não sou contra a faculdade particular, não. Acho que ela tem que vir para construir uma nova demanda. Mas é justo para o aluno que está estudando e tal. Ele perdeu o semestre, como ele vai pegar agora, por que o diretor do sindicato ou a galera da estratégia eleitoral ou político... Por exemplo, aluno meu, que arrumou aquela louca greve na UECE, ela surgiu, que teve uma organização política e tal, você sabia que era aplicável, que era do sindicato, até do presidente do PT e tal. Isso junta esses interesses a todos a uma grande sindicalização, que você tem na base do processo. Todos os diretores do sindicato e a galera dos movimentos estudantis sabiam que nenhum governo queria dar aumento aos professores nesse governo agora...Ele não pode por que a justiça não deixa, por conta da questão eleitoral. Só que falaram que passaram um programa de governo do candidato A ou de um candidato B. Então, até que ponto isso beneficia os estudantes? Até que ponto essa luta é válida para que os alunos não sejam prejudicados? Quem é o verdadeiro beneficiado nessa questão da greve? Eu não estou dizendo que sou contra a greve. Acho que você tem vários motivos para protestar, vários tipos para manifestar, como motivo de freio, e uma delas é a greve.
POLITICANDO - E pra terminar, como é a relação de vocês, como representantes do DCE, com a instituição?
Aécio - A gente se relaciona muito bem com a instituição, no sentido assim, de que existe a política do terror. A galera do ano passado era a galera do PC do B e tal e também tinha galera do PT, que já tinha passado pelo PSol. Esses caras, então, demarcaram o fortalecimento ali. Nós não demarcamos. Nós não politizamos os debates. Nós não politizamos assim dentro de uma política. Tanto é que a gente criou um plano. Não se fala, por exemplo, em pichar os muros. Cheguei até numa reunião e disse que era uma estratégia política. Mas assim, a gente faz manifestação dentro da faculdade, reunião, faz seminário, agente dá um jeito de. Atuamos bem, mas sem radicalismo. Foi o que aconteceu com a carteira de estudante: o cara lá da gestão teve que pagar duas mil carteiras. Aí, o que fazemos: chamamos a galera do forró pra dar uma festa e povo pagava a entrada por um preço razoável; isso para pagar as carteiras de estudantes e debater muita política. Quando vou brigar pelo meu curso lá, não vou para demarcar. A gente tem uma relação de diálogo, de respeito.
Carolina - Na comissão gestora tem pessoal que é ligado ao partido. Geralmente, não é muito bom por que qualquer coisa querem bater na gente e tal. Mas assim, a opinião que tenho é que lá eles são incentivados pelo movimento estudantil. Eles chegam a pedir apoio apesar da estrutura do DCE. È uma estrutura antiga. Eles chegam pra mim e perguntam: “ você é aluna do CEFET?”. Até pediram uma reivindicação por que tinha aluno que não era do CEFET; pediram carteira de identificação pra não entrar aluno que não é do CEFET, por que houve uns problemas. A gente não tinha muita estrutura. A gente tem um programa com as carteirinhas de estudantes; como falei, o DCE não estava regularizado, estava com muita dívida.
POLITICANDO - E a participação dos estudantes nesses atos?
Carolina - Quando no caso é pra carteira de estudante eles vêm. Mas quando a gente chega para falar de filme, falar de rádio, falar poesia, sabe, o pessoal não chega. Infelizmente.
Aécio - Quando de interesse deles, sim. Eles participam muito, entendeu. No caso, na parte social, o que a gente faz: o cara vem, assiste à palestra (eles adoram palestra, desde que tenha...o certificado. [risos] Eles adoram palestra. Se for pago, desde que tenham certificado [risos].
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