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O “Pensamento Jovem”

Na fala de representantes do atual movimento estudantil, o “ser ou não ser” da juventude passa pela opção entre atuar como agente de transformação ou de manutenção do status quo.

“O jovem que está na rua não rouba um tênis, rouba um Nike e a possibilidade de ser divertir e de ser aceito entre os seus”. (Aécio)

Em tempos de materialismo, individualismo e espetáculo ainda se pode identificar valores que dão forma à sociedade, sobretudo, quando as ações vêm da juventude – sim, essa que faz parte da população estigmatizada, tida como alienada. No entanto, uma parte dela acredita na transformação e que pode contribuir para mudanças positivas, como é o caso dos representantes do DCE da UNIFOR, Aécio Holanda, e do CEFET, Carolina Matos. O primeiro, eufórico, é aluno de ciências políticas e coordenador do MUDE – Movimento Unificado pela Democracia e Ética na política. A segunda, meiga e suave, como sua voz, é estudante de Turismo da mesma instituição onde coordena o DCE. Falar sobre política, juventude, movimentos estudantis e amor rendeu uma conversa tranqüila, descontraída e alegre – como todo jovem deve ser.

POLITICANDO - Temos iniciado todas as entrevistas com a mesma pergunta: pra vocês, o que é política?

Aécio - Antes de entrar no assunto política propriamente dita, eu queria falar um pouco sobre juventude. Se a gente for ao longo da história procurar essa palavra juventude, ela vem do grego romano e ela faz uma alusão aos Deuses relacionados à da Grécia Antiga, dentre os quais destacam: Atenas, Afrodite - a Deusa do amor -, Apolo -Deus do sol -, essa coisa toda. Dentre todos os Deuses tinha um que era um Deus todo poderoso na sua essência, o Deus dos Deuses, mas ele não tinha atividade de hipercrítica, né; ele era psicológico. Ele soltava uns raios, e justamente o raio soltava muita energia e poder. E era o Deus das pessoas que queriam ser irreverentes, todos diferentes, todos cheios de si, na sua vontade de transformar, essa coisa toda. Na Grécia, isso também era reconhecido como jovem e, aí, veio a palavra jovem, diferente de uma palavra juventude.

POLITICANDO - Então a juventude era uma força vista como positiva?

Aécio - Sim, nessa época a juventude não era tida como um problema, porque um país que tinha muito jovem era um país que tinha muita mão de obra na agricultura e tinha exército pra conquistar território. Então o jovem não era tido como um problema.

POLITICANDO - Quando então a juventude passou a usar a sua força enquanto movimento por causas sociais?

Aécio - Isso está diretamente ligado com a construção das cidades que foram construídas em torno das fábricas e que havia uma única necessidade de abrigar as pessoas que estavam trabalhando perto dali. .Surgiu a sindicalização e se iniciou a luta pela diminuição das longas jornadas de trabalho, que eram de 11 a 18 horas. O pouco tempo que restava, os jovens o usava para andar em prol do mundo com mais vontade. O que até na modernidade a gente não tem nenhum plano de governo, nenhum governo falando de como fazer a revolução política, eles só apresentam modelos prontos e acabados.
E com base ao lócus, né, a esse andar, pela primeira vez a juventude é vista como um problema social. E assim surge o primeiro movimento não autorizado.

POLITICANDO - Quem eram esses jovens desse movimento não autorizado?

Aécio - O jovem desse movimento contra as estruturas, a princípio, é chamado de vândalo; aqueles que estavam às ruas, quebravam o patrimônio público numa própria geração de protestos para dizer que aquele templo, as ruas e as cidades, não pertenciam a eles e ,sim, aos donos das fábricas. E depois disso, você tem uma razão e uma organização dos movimentos sociais depois da industrialização. Os jovens revolucionários que tinham linguagens únicas até esse momento, acreditam na transformação através da mudança do sistema, através da luta armada. Esses jovens revolucionários você encontra na América Latina, no Vietnã, na União soviética, distribuídos no mundo inteiro e falando uma única linguagem.
E você tem uma segunda grande tribo que são os jovens reformistas que são jovens de um movimento expressivo e são muito bem representados, por exemplo, na cultura de Paris: aqueles caras que vivem num estado de um bem estar social e de livre direito e se revelaram contra aquela situação, que é "A gente não quer só comida a gente quer saída diversão e arte", né ?
Então, você tem um outro grupo de jovens que nessa época era chamado de desnaturados que eram os hippies, que eram os jovens que lutavam pela paz, por uma cultura de preservação do planeta, por uma comunidade desenvolvida e sustentável e contra as guerras.

POLITICANDO - Como era a visão de democracia da juventude nesta fase?

Aécio - A juventude não tinha uma visão de democracia. Nem os comunistas eram democráticos, nem a direita era democrática, e você tinha um conceito de democracia como um conjunto, que nem próprio estado nem a juventude viviam esse conceito.
É tanto que no Brasil, devido a Getúlio Vargas, as políticas sociais muitas vezes não estavam associadas à democracia. O brasileiro é muito “despolitizado”, não está habituado a uma cultura democrática como é no resto do mundo. E esses jovens, por incrível que pareça, pra vocês verem a importância das diretas, deixaram as coisas mais circunstanciais, que eu considero bandeiras modernas, que é a questão da ecologia, a questão da cultura de paz, do combate a fome, da sustentabilidade da comunidade harmônica, que nós conquistamos depois do desenvolvimento.

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